Jornada do Herói Milionário

A Jornada do HeróiMilionário

O que a Jornada do Herói tem a ver com me tornar milionário?

A “Jornada do Herói” é uma tese criada por Joseph Campbell, que consiste em um modelo de como seria o passo a passo do percurso de transformação do homem comum em um herói, com todas as fases e provações que surgem no meio do caminho.

Campbell estudava a mitologia universal e, como nos ensina o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, as mitologias revelam os arquétipos universais de nosso inconsciente coletivo. Em outras palavras, trata-se do funcionamento da nossa mente num nível profundo, que muito pode nos ensinar sobre vários aspectos da vida.

A Jornada do Herói nos mostra o percurso arquetípico que cada indivíduo percorre até a conquista de um alvo, de um objetivo.Aplicada à Jornada da Prosperidade, nos dará um mapa para nossa busca, uma bússola para nos orientar neste caminho, nesta aventura apaixonante.

Vamos olhar para todo processo, da aceitação de novos desafios até todas as dificuldades para vencer cada etapa de aprendizagem dentro de cada escolha e atingir nosso objetivo de sermos prósperos.

Os 12 Estágios da Jornada do Herói

1- Mundo ComumO mundo normal do herói antes da história começar

Este é o mundo de onde vim: o mundo da classe média, um mundo com dívidas, “a corrida dos ratos”, trabalhando para pagar contas e dívidas, cartão de crédito estourado, insatisfeito com o trabalho atual, um emprego público que me permite uma vida “confortável” e me permite pagar as contas e algumas extravagâncias, mas me sentindo preso nele, mas sentindo que a vida é mais do que isso…

2- O Chamado da Aventura Um problema se apresenta ao herói: um desafio ou a aventura

Esse momento para mim começou há alguns anos, quando conheci amigos que começaram a ganhar dinheiro com marketing digital, como Lourenço Maciel e Seiti Arata, e percebi que isso não era apenas propaganda, era possível. Eles tinham descoberto o segredo para ganhar dinheiro na internet, criando blogs, sites, ebooks e outros conteúdos de qualidade.

Logo, outros amigos meus estavam estudando Marketing Digital e indo morar na Europa com as rendas desse negócio. E eu ficando para trás, escondido na segurança de um emprego público e de rendas extras como professor e psicólogo.
3- Reticência do Herói ou Recusa do ChamadoO herói recusa ou demora a aceitar o desafio ou aventura, geralmente porque tem medo.

Levei anos estudando marketing digital timidamente, e fazendo algumas incursões online, vendendo alguns ebooks e vídeos pela internet. Um de meus sites é o http://www.mentemagra.com, onde falo de emagrecimento natural usando minha própria experiência de ter emagrecido 30 kg em 6 meses.

Começo a ganhar algum dinheiro online, que me faz acreditar que toda essa história do Eldorado digital é possível,mas, ao mesmo tempo, me baseio na segurança do meu emprego público e nas horas gastas nele e nos meus atendimentos como coach, psicólogo e como palestrante para continuar avançando timidamente no marketing digital. Talvez isso seja para outros, não para mim…Ficar rico é um sonho distante, e continuo com uma dívida enorme, nascida de pagar pequenos prazeres como sucessivas viagens ao exterior.
4- Encontro com o mentor ou Ajuda Sobrenatural – O herói encontra um mentor que o faz aceitar o chamado e o informa e treina para sua aventura.

Este é o momento onde me encontro agora. Decidi levar a sério a aventura e aprender de verdade a enriquecer e a ser próspero. Cerquei-me dos melhores mentores, pessoas que sairam da pobreza ou da classe média e se tornaram milionários, contribuindo para os outros com seus talentos, conhecimentos, paixão.

Alguns desses mentores que nos acompanharão neste blog são:

  • Tim Ferriss – me inspirou com seu Trabalhe 4 horas por semana e fique rico – mostrou-me o poder de construir uma musa para renda passiva e me tornar mais produtivo para fazer mais em menos tempo no meu trabalho atual para poder ter mais tempo para empreender.
  • Tony Robbins – escreveu o livro Money, onde entrevista dezenas de BILIONÁRIOS com a seguinte pergunta: se você pudesse deixar para seus filhos não dinheiro,mas uma lição sobre como enriquecer e se manter rico,e qual o portfolio de investimentos mais adequado para enriquecer e proteger sua riqueza, qual seria? E o resultado é uma receita de como se tornar milionário em 7 passos.
  • L. Michael Hall – co-criador da PNL e criador da Neurossemântica, é um gênio da psicologia cognitiva que começou bem parecido comigo: como psicoterapeuta de classe média endividado, e hoje é um milionário empreendedor, que criou uma comunidade de milhares de meta-coaches e trainers de Neurossemântica espalhada pelo mundo e ensina as pessoas a se livrar de crenças e significados tóxicos e a criar a realidade que querem, escapando da Matrix com um Neo que escolheu a pílula azul.
  • E muitos outros, como Ewen Chia, Richard Koch, Eben Pagan, Robert Kiosaki, Joel Comm, Jon Reed, Chris Anderson…

 

5- Cruzamento do Primeiro Portal O herói abandona o mundo comum para entrar no mundo especial ou mágico.

Decorre de aplicar as lições aprendidas pelos mentores e gurus, tanto no mundo real, quanto no mundo digital. Idéias mudam o mundo, começando a se materializar quando se materializam em nossas mentes através de conexões neurais persistentes, criando uma realidade interna – somos o que acreditamos repetidamente.

O outro nível de materialização se dá pela ação no mundo real – repetindo novos hábitos que vão construindo uma realidade socializada, adicionando valor e riqueza no mundo dos outros. Só nos tornamos ricos se enriquecemos a vida de outros, se ajudamos os outros a resolver os seus problemas, ensinam gurus como Tim Ferriss.

L. Michael Hall chama esse mundo especial de a Matrix do Mundo dos Negócios e a Matrix dos Outros. Em um de seus livros, “Games Business Experts Play”, ele modela homens de negócios excelentes em seus campos e mostra qual o jogo vencedor que eles jogam e que nós também podemos jogar.
6- Provações, aliados e inimigos ou A Barriga da Baleia – O herói enfrenta testes, encontra aliados e enfrenta inimigos, de forma que aprende as regras do mundo especial.

Nem precido dizer que nessa jornada experimentaremos riscos e problemas. Aqui treinaremos as competências da persistência, paciência e flexibilidade, que,afirma L.Michael Hall no livro Inside Out Wealth, são competências essenciais na jornada da riqueza.

Hall afirma que a mentalidade do enriquecimento rápido e fácil pode ser um pensamento sabotador e enganoso, e sua modelagem de milionários demonstrou que essa é uma jornada de anos, talvez uma década ou mais.

Aliados – as pessoas que deveremos ter como parceiros de negócios, clientes, fornecedores, nosso networking.Inimigos? Provavelmente o pior deles é uma parte de nossa própria mente que se insurge com dúvidas, pensamentos derrotistas e autosabotadores. As regras do jogo de riqueza serão estudadas aqui, através da modelagem – isto é, benchmarking – das regras e princípios dos jogos que as pessoas ricas jogam.

7- AproximaçãoO herói tem êxitos durante as provações

Se outros conseguiram, podemos também, jogando os jogos de negócios e prosperidade que eles jogaram, e modelando seus padrões de pensamento, emoções e comportamentos. Essa é a essência da PNL, a modelagem do sucesso e da excelência dos gênios da riqueza , e a generalização de seus padrões de pensamento, emoções e ações para as pessoas comuns como nós.
8- Provação difícil ou traumáticaA maior crise da aventura, de vida ou morte.

Na jornada, teremos que nos deparar com nossos próprios demônios e resolver nossos dilemas internos. “Decifra-me ou devoro-te”, diz a milenar esfinge.

L. Michael Hall fala dos dragões que residem em nossos inconscientes, padrões de pensamentos autodestrutivos que precisam ser enfrentados se queremos manter uma prosperidade duradoura.

Milionários relatam experiência de perda de dinheiro, às vezes até de bancarrota, e a volta por cima. Outros nunca se reerguem.  Alguns investidores, como George Soros, perderam todo o dinheiro do dia para a noite, e depois conseguiram recuperá-lo, porque já tinham desenvolvido uma Mente Milionária.
9- RecompensaO herói enfrentou a morte, se sobrepõe ao seu medo e agora ganha uma recompensa (o elixir).

A recompensa pode ser a liberdade financeira – não precisar mais trabalhar para viver e poder viver a vida de meus sonhos, de diversão,  contribução, legado, auto-realização. É poder realizar a  missão de vida sem precisar pensar no dinheiro, sem estar preso à corrida dos ratos ou a um emprego escravizador.

É a resposta à pergunta: se você não precisasse mais trabalhar para viver, como gostaria de viver sua vida?
10- O Caminho de VoltaO herói deve voltar para o mundo comum.

Aqui, o exercício é de visualização criativa… como seria voltar ao mundo milionário, próspero, abundante?  Contribuir com os outros com minha riqueza, fazer diferença, deixar um legado…
11- Ressurreição do Herói Outro teste no qual o herói enfrenta a morte, e deve usar tudo que foi aprendido.

Se esse fosse meu meu último dia, como gostaria de vivê-lo? Como seria vivê-lo com prosperidade?

Quero percorrer com vocês, meus leitores imaginários, cada uma dessas etapas, e ver outros se unindo nessa jornada. Se, no entanto, estiver só, não estarei só,  na verdade: estarei deixando já uma contribuição para outras pessoas que, no futuro,poderão se beneficiar dos aprendizados, leituras, experiências, erros e acertos deste caminho. E que seja sempre divertido e muito instrutivo!

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Jornada do Herói Milionário

A história de Mushkil Gusha – um conto de ensinamento sobre a prosperidade

Era uma vez, a menos de mil milhas daqui, um pobre lenhador viúvo, que vivia com sua pequena filha. Todos os dias costumava ir às montanhas cortar lenha, que levava para casa e atava em feixes. Depois da primeira refeição, caminhava até o povoado mais próximo, onde vendia a lenha e descansava um pouco antes de voltar para casa.

Um dia, ao chegar em casa, já muito tarde, a menina lhe disse:

Pai, de vez em quando gostaria de ter uma comida melhor, em maior quantidade e mais variada.

– Está bem, minha filha – disse o velho -, amanhã levantarei mais cedo do que de costume, irei mais alto nas montanhas, onde há mais lenha, e trarei uma quantidade maior do que a habitual. Voltarei mais cedo para casa, atarei os feixes mais depressa e irei logo ao povoado vendê-los para conseguirmos mais dinheiro. E lhe trarei uma porção de coisas deliciosas.

Na manhã seguinte, o lenhador levantou-se antes da aurora e partiu para as montanhas. Trabalhou arduamente cortando lenha e fez um feixe enorme, que carregou nos ombros até sua casa.

Ao chegar era ainda muito cedo. Então, colocou a carga no chão e bateu à porta, dizendo:

– Filha, filha, abra a porta. Estou com sede e fome; preciso comer alguma coisa antes de ir para o mercado.

Mas a porta continuou fechada. O lenhador estava tão cansado que se deitou no chão, ao lado do feixe de lenha, e logo adormeceu. A menina, esquecida da conversa da noite anterior, dormia profundamente.

Quando o lenhador acordou, algumas horas depois, o sol já estava alto. Bateu novamente à porta e disse:

– Filha, filha, abra logo. Preciso comer alguma coisa antes de ir ao mercado vender a lenha, pois já é muito mais tarde do que de costume.

Mas a menina que tinha esquecido completamente a conversa da noite anterior, tinha se levantado, arrumado a casa e safra para dar um passeio. Em seu esquecimento, e supondo que o pai já tivesse ido para o povoado, deixou a porta da casa fechada.

Assim, o lenhador disse a si mesmo:

– Já é muito tarde para ir à cidade. Voltarei para as montanhas e cortarei outro feixe de lenha, que trarei para casa, e amanhã terei carga em dobro para levar ao mercado.

O lenhador trabalhou duro aquele dia, cortando e enfeixando lenha nas montanhas. Já era noite quando chegou em casa com a lenha nos ombros.

Pôs o feixe atrás da casa, bateu à porta e disse:

– Filha, filha, abra a porta. Estou cansado e não comi nada o dia todo. Trago uma dupla carga de lenha, que espero levar ao mercado amanhã. Preciso dormir bem esta noite para recuperar minhas forças.

Mas não houve resposta, pois a menina, sentindo muito sono ao voltar do passeio, preparou sua comida e foi para a cama. A princípio, ficara preocupada com a ausência do pai, mas tranqüilizou-se logo, pensando que ele passaria a noite no povoado.

Cansado, faminto e com sede, vendo que não podia entrar em casa, o lenhador deitou-se novamente ao lado da lenha. Apesar de preocupado com o que poderia estar acontecendo com a filha, não conseguiu ficar acordado: adormeceu logo. Mas, como estava com muito frio, muita fome e muito cansado, acordou bem cedo na manhã seguinte, antes mesmo de o dia clarear.

Sentou-se, olhou ao redor, mas não conseguiu ver nada. Mas, nesse momento, aconteceu uma coisa estranha. Pareceu-lhe ouvir uma voz que dizia:

– Depressa! depressa! Deixa tua lenha e vem por aqui. Se necessitas muito e desejas o suficiente, terás uma refeição deliciosa.

O lenhador levantou-se e caminhou na direção de onde vinha a voz. Andou, andou e andou, mas não encontrou nada.

Então sentiu mais cansaço, frio e fome do que antes e, além do mais, estava perdido. Tivera muitas esperanças, mas isso não parecia tê-lo ajudado. Ficou triste, com vontade de chorar, mas percebeu que chorar também não o ajudaria. Assim, deitou-se e adormeceu.

Logo depois acordou novamente. Sentia frio e fome demais para poder dormir. Foi então que lhe ocorreu narrar a si mesmo, como se fosse um conto, tudo o que tinha acontecido desde que a filha lhe pedira um tipo de comida diferente.

Mal terminou sua história, pareceu-lhe ouvir outra voz, vinda de algum lugar no alto, como se saísse do amanhecer, que dizia:

– Velho homem, velho homem, que fazes sentado aqui?

– Estou me contando minha própria história – respondeu o lenhador.

– E qual é?

O lenhador repetiu sua narração.

– Muito bem – disse a voz, e a seguir lhe pediu que fechasse os olhos e subisse um degrau.

– Mas não vejo degrau algum – disse o velho.

– Não importa, faz o que te digo – ordenou a voz.

O homem fez o que lhe fora ordenado. Mal fechou os olhos, descobriu que estava de pé e, levantando o pé direito, sentiu que debaixo dele havia algo semelhante a um degrau.

Começou a subir o que parecia ser uma escada. De repente os degraus começaram a mover-se – moviam-se muito rapidamente – e a voz lhe disse:

– Não abra os olhos até que eu ordene.

Não se passara muito tempo, quando a voz mandou que o velho abrisse os olhos. Ao fazê-lo, o lenhador achou-se num lugar que parecia um deserto, com um sol escaldante acima dele.

Estava rodeado de montes e montes de pedrinhas de todas as cores: vermelhas, verdes, azuis e brancas. Mas parecia estar só; olhou em volta e não conseguiu ver ninguém. Então, a voz começou a falar de novo:

“Apanha todas as pedras que puderes, fecha os olhos e desce os degraus”

O lenhador fez o que lhe mandavam e, quando a voz ordenou que abrisse os olhos novamente, encontrou-se diante da porta de sua própria casa. Bateu à porta, e a sua filha veio atender. Ela lhe perguntou por onde ele tinha andado, e o pai lhe contou o ocorrido, embora a menina mal entendesse o que ele dizia, porque tudo lhe parecia muito confuso.

Entraram em casa e a menina e o seu pai repartiram a última coisa que lhes restava para comer: um punhado de tâmaras secas. Quando terminaram a comida, o velho achou que estava novamente ouvindo uma voz, uma voz igual àquela que o mandara subir os degraus.

– Embora ainda não o saibas – disse a voz – foste salvo por Mushkil Gusha. Lembra-te: Mushkil Gusha está sempre aqui. Promete a ti mesmo que todas as quintas-feiras, à noite, comerás umas tâmaras, e darás outras a alguma pessoa necessitada, a quem contarás a história de Mushkil Gusha. Ou darás um presente, em seu nome, a alguém que ajude os necessitados. Promete que a história de Mushkil Gusha nunca, nunca será esquecida. Se fizeres isso, e o mesmo fizerem as pessoas a quem contares a história, os que tiverem verdadeira necessidade sempre encontrarão seu caminho.

O lenhador então colocou todas as pedras que havia trazido do deserto num canto do casebre. Pareciam simples pedras, e ele não soube o que fazer com elas. No dia seguinte, levou seus dois enormes feixes de lenha ao mercado e os vendeu facilmente, por ótimo preço. Ao voltar para casa, levava para sua filha uma porção de iguarias deliciosas que ela jamais havia provado antes. Quando terminaram de comer, o velho lenhador disse:

– Agora vou lhe contar a história de Mushkil Gusha. Mushkil Gusha significa “O dissipador de todas as dificuldades”. Nossas dificuldades desapareceram por intermédio de Mushkil Gusha, e devemos lembrá-lo sempre.

Durante uma semana o homem seguiu sua rotina. Ia às montanhas, trazia lenha, comia alguma coisa, levava a lenha ao mercado e a vendia. Sempre encontrava comprador, sem dificuldade.

Mas chegou a quinta-feira seguinte e, como é comum entre os homens, o lenhador se esqueceu de contar a história de Mushkil Gusha. Nessa noite, já tarde, apagou-se o fogo na casa dos vizinhos. E, como não tinham com que voltar a acendê-lo, foram à casa do lenhador e disseram:

– Vizinho, vizinho, por favor, dê-nos um pouco de fogo dessas suas lâmpadas maravilhosas que vemos brilhar através da janela.

– Que lâmpadas? – perguntou o lenhador.

– Venha cá e veja – responderam.

O lenhador saiu e viu claramente a variedade de luzes que, vindas de dentro, brilhavam através de sua janela. Entrou e viu que a luz saía do monte de pedras que havia posto num canto. Mas os raios de luz eram frios e era impossível usá-los para acender fogo. Então, tornou a sair e disse:

– Sinto muito, vizinhos, não tenho fogo – e bateu-lhes a porta no nariz.

Os vizinhos ficaram aborrecidos e surpresos e voltaram para casa resmungando. E aqui eles abandonam nossa história.

Rapidamente, o lenhador e sua filha, com medo de que alguém visse o tesouro que possuíam, cobriram as brilhantes luzes com todos os trapos que encontraram. Na manhã seguinte, ao destampar as pedras, descobriram que eram gemas luminosas e preciosas.

Uma a uma, levaram-nas às cidades dos arredores, onde as venderam por um preço enorme. Então, o lenhador decidiu construir um esplêndido palácio para ele e sua filha.

Escolheram um lugar que ficava exatamente na frente do castelo do rei de seu país. Pouco tempo depois, um edifício maravilhoso estava construído.

O rei tinha uma filha muito bonita que uma manhã, ao acordar, viu o castelo, que parecia de contos de fadas, bem em frente ao de seu pai. Muito surpresa, perguntou a seus criados:

– Quem construiu esse castelo? Com que direito fazem uma coisa dessas tão perto do nosso lar?

Os criados saíram e investigaram. Ao regressar, contaram à princesa tudo o que conseguiram saber.

A princesa, muito zangada, mandou chamar a filha do lenhador. Porém, quando as duas meninas se conheceram e se falaram, logo tornaram-se boas amigas. Encontravam-se todos os dias e iam nadar e brincar juntas num regato que o rei mandara fazer para a princesa.

Alguns dias depois do primeiro encontro, a princesa tirou um colar lindo e valioso e pendurou-o numa árvore à beira do regato. Na volta, esqueceu-se de apanhá-lo e, ao chegar em casa, pensou que o tinha perdido. Refletindo melhor, porém. concluiu que tinha sido roubado pela filha do lenhador.

Contou tudo ao pai, que mandou prender o lenhador e confiscou-lhe todos os bens. O homem foi posto na prisão, e sua filha levada para um orfanato.

Como era costume no país, depois de algum tempo o lenhador foi retirado de sua cela e levado para praça pública, onde o acorrentaram a um poste, tendo pendurado ao pescoço um cartaz onde se lia:

“É isto que acontece a quem rouba dos reis.”

A princípio, as pessoas juntavam-se à sua volta zombando dele e atirando-lhe coisas. O lenhador estava muito infeliz. Porém, como é comum entre os homens, logo se acostumaram com o velho sentado junto ao poste e lhe prestavam cada vez menos atenção. Às vezes lhe atiravam restos de comida, às vezes nem mesmo isso.

Uma tarde, ouviu alguém dizer que era quinta-feira. De imediato veio-lhe à mente o pensamento de que logo seria a noite de Mushkil Gusha, “O dissipador de todas as dificuldades”, a quem há tanto tempo se esquecera de comemorar. No mesmo instante em que esse pensamento lhe chegou à mente, um homem caridoso que passava jogou-lhe uma moeda.

– Generoso amigo – chamou-o o lenhador – você me deu dinheiro que para mim não tem utilidade alguma. Mas se, em sua generosidade, puder comprar uma ou duas tâmaras e vir sentar-se comigo para comê-las, eu lhe ficaria eternamente grato.

O homem saiu e comprou algumas tâmaras, sentou-se a seu lado e comeram juntos. Ao terminar, o lenhador contou-lhe a história de Mushkil Gusha.

– Acho que você deve estar louco – disse-lhe o homem generoso.

Mas era uma pessoa compreensiva e também enfrentava muitas dificuldades. Ao chegar em casa, depois desse incidente, percebeu que todos os seus problemas estavam resolvidos. Isto o fez pensar mais seriamente a respeito de Mushkil Gusha. Mas aqui ele deixa nossa história.

No dia seguinte, pela manhã, a princesa voltou ao lugar onde se banhara e, quando ia entrar na água, viu, no fundo do regato, uma coisa que parecia ser seu colar. Porém, no momento em que ia pegá-lo, espirrou, jogou a cabeça para trás, e viu que o que tomara por seu colar era apenas o reflexo dele na água. O colar estava pendurado no galho de uma árvore, no mesmo lugar onde o tinha deixado há muito tempo.

Emocionada, apanhou-o e foi correndo contar ao rei o acontecido. Este ordenou que o lenhador fosse posto em liberdade e que lhe pedissem desculpas em público. Tiraram a menina do orfanato e todos viveram felizes para sempre.

Estes são alguns dos episódios da história de Mushkil Gusha. E uma história muito longa, que nunca termina. Tem muitas formas. Algumas nem sequer se intitulam A história de Mushkil Gusha. Por isso as pessoas não as reconhecem como tal.

Mas é por causa de Mushkil Gusha que esta história, em qualquer de suas formas, é lembrada por alguém, em algum lugar do mundo, dia e noite, onde quer que exista gente. Tal como sempre tem sido contada, assim continua-rá a ser contada eternamente.

Você quer repetir a história de Mushkil Gusha nas noites de quinta-feira e ajudar, assim, o trabalho de Mushkil Gusha?

Referência

http://www.caravansarai.com.br/ConMushkilGushaPrin.htm

A história de Mushkil Gusha – um conto de ensinamento sobre a prosperidade