Os 10 maus Hábitos que impedem seu Sucesso Financeiro

Autor: Dalton Ferreira

Nesse artigo, separei 10 maus hábitos que impedem você de alcançar o sucesso financeiro, e mostrarei como você pode fazer a substituição por hábitos saudáveis, mas você sabe o que é um hábito e como ele se forma para que você possa entender o que se passa ai dentro de você?

Hábitos são ações repetidas com frequência, ou seja, rotinas, e o grande ganho dele é fazer com  que seu cérebro economize energia. Imagine se para cada ação executada, você tivesse que parar e refletir: Calço primeiro o tênis do pé direito ou o do pé esquerdo? Tomo primeiro café, e escovo o dente depois, ou faço o contrário? Gastaríamos muita energia com essas coisas simples.

O grande perigo é se construimos hábitos negativos e eles já estão no piloto automático. Continue a leitura e identifique os hábitos que jogam contra você, e como fazer para transformá-los em hábitos positivos, em 3 simples passos. Ao final do artigo tenho um convite para você.

Vamos a eles:

compras_compulsivas

1) Consumo exagerado
Vivemos em uma sociedade de consumo, aonde os desejos são transformados em necessidades e você é levada ao consumo desenfreado, já enraizado na cultura capitalista, aonde você é medida pelo que “tem” e não pelo que você “é”.

Hoje, o Marketing utiliza de vários recursos, tais como manequim, cores, sons, técnicas de atendimento do vendedor, para que você compre além do planejado.

Basta você abrir seu guarda-roupa.Quantos itens há entre roupas, sapatos e bolsas que você não utilizou nos últimos 6 meses? E os eletrônicos que são atualizados a cada semestre, e a versão anterior é considerada obsoleta.

Ou seja por durabilidade, ou por moda, você é incentivada a consumir cada vez mais! Como esse ato é prazeroso e você possui a recompensa interna após a compra do objeto desejado, a tendência é que você procure repetir essa ação de forma rotineira.

Dessa forma, você troca experiências que poderia ter com viagens, passeios,por exemplo, por objetos. Você já reparou que por mais que você tenha, sempre há a sensação que ainda falta algo?

compras

2) Utilizar o cartão de crédito no rotativo e cheque especial
O mercado oferece muitas facilidades, para que você obtenha o objeto desejado de forma rápida. Antigamente, você trabalhava, recebia seus ganhos e gastava. Hoje, você parcela em 10x no cartão de crédito ou pega emprestado no cheque especial, para consumir primeiro e pensa: “Depois dou um jeito”, assim as parcelas do cartão vão se acumulando até que você reconhece que não há como pagar a fatura inteira e paga o mínimo.

Os juros no Brasil são exorbitantes, para cada R$1.000 de empréstimos, considerando um juros de 10% ao mês, você irá pagar acima de R$33.000 em 3 anos, caso deixe acumular essa dívida. Caso você deixasse esse valor aplicado em uma caderneta de poupança, você teria menos de R$1.300,00. Percebe como é a atuação do sistema financeiro no Brasil? Cobra muito para emprestar e paga pouco pela sua aplicação. O pior, você consome menos, pois paga muitas taxas. Aquele vestido que você gastou 500 reais no cartão sairá por mais que o dobro!

chaos-485496_1920

3) Desorganização
Muitas pessoas preferem ignorar os itens 1 e 2, preferem não checar e nem abrir as contas que recebem, colocam o máximo que podem em débito automático e vão sendo surpreendidas a cada olhada no extrato.

Com isso, muitas vezes pagam contas em atraso ou não possuem o necessário na conta quando o débito ocorre. O dinheiro vai para o bolso de quem está pronto para ele e sabe como ele funciona.

Como está sua organização financeira? Muitas pessoas me procuram para ajudar com suas dívidas, mas não sabem o montante devido, as instituições que deve  e o juros cobrado por cada dívida. Resultado: Nome sujo e restrição de crédito!

Para você se organizar é necessário construir o hábito de registrar suas entradas e saídas, como se você fosse uma empresa. Pode ser por aplicativos, planilhas,etc. É normal nos meus atendimentos de coaching a pessoa informar que gasta “x” e após um mês ela identifica que gasta “x + 40%”.

estressada

4) Ser conduzida pelas suas emoções
Já é comprovado pela neurociência que 95% das suas decisões são tomadas pelo suas emoções. Muitas vezes, você consulta a razão para validar a decisão que já foi tomada em âmbito emocional, para que você se sinta bem consigo mesma.

Me recordo que uma amiga, certa vez, me mostrou uma oferta de empréstimo que o banco lhe ofereceu e queria utilizar essa quantia para terminar uma obra. Por mais que eu explicasse, que os juros apesar de estarem abaixo dos oferecidos pelo cheque especial e cartão de crédito, ainda assim estavam altos e não compensava, ela através de argumentos “racionais” procurava mostrar que era uma decisão inteligente e queria o meu “ok” para se sentir bem consigo mesma.

Se você não desenvolver sua inteligência emocional e conhecer a si mesma, como você age a determinados estímulos, alguém irá controlar suas emoções por você e não será para te ajudar.

velho_bolso_vazio

5) Não poupar
Na vida adulta você estará cercada de pequenos imprevistos, seja na sua casa, no seu carro, ou até mesmo para comprar um remédio ou aproveitar uma oportunidade. Mas se você não possui uma reserva, precisará de empréstimos. Um hábito muito comum é “Eu pago as contas primeiro e o que sobrar eu guardo“, o foco está em pagar contas.

O foco correto é “Eu aplico no mínimo 10% dos meus ganhos e o que sobrar eu gasto“. Se você gasta primeiro, dificilmente irá sobrar, pois o que não falta são oportunidades de se gastar.

Essa ação, apesar de simples entendimento é uma das regras de ouro das finanças pessoais e ignorada por 99% das pessoas. Quando você aplica primeiro nas suas contas de investimento, você diz para seu inconsciente que você é a pessoa mais importante e o resto vem depois. E o melhor, após alguns meses, isso terá se tornado um hábito e estará no seu piloto automático.

woman-391555_1920

6) Alienação
Temos muitas distrações em nossa vida, seja pelos programas de televisão, computador, jogos ou pelos aplicativos de diversas redes sociais. Grande parte das pessoas não conseguem ficar em silêncio, se não há o que fazer, precisam do barulho do rádio, ou outra distração.

Há cada vez menos reflexões internas e análises subjetivas.

As pessoas procuram algo externo para focar sua atenção e não conhecem a si mesmas. Por mais que a sociedade propicie formas de lazer, há cada vez mais doenças como a depressão, ansiedade e estresse. Será que sua atenção, sua energia não está colocada no lugar errado?

cliente

7) Falta de objetivos e sonhos.
Muitas pessoas sabem o que não querem, mas não sabem o que realmente desejam para sua vida. Como falei no item anterior, não conhecemos nem a nós mesmos.

A clareza é fundamental para te dar um norte, saber aonde está e aonde quer chegar. Muitos vivem de acordo com aquela música do Zeca Pagodinho “Deixa a vida me levar, vida leva eu…”  Se você não sabe aonde quer chegar, qualquer lugar serve.

Quando pergunto em minhas palestras  quem quer independência financeira, todas presentes levantam as mãos,mas quando pergunto qual é o número da independência financeira de cada um, poucos sabem responder. Se você não tem um objetivo específico para ter como alvo, qualquer resultado atingido servirá.

educação financeira

8) Desconhecer o básico sobre Educação Financeira
Você trabalha, dá um duro danado, seja como empregada, autônoma ou empresária e quando recebe seus proventos ignora quais são as regras básicas para proteger deu dinheiro da inflação, para multiplicar suas receitas, ou seja, para colocar o dinheiro para trabalhar para você.

Uma vez, vi um palestrante falando de forma dura a seguinte frase: “Acha que é caro pagar pela educação então invista na ignorância”. Depois analisando essa frase, vi que ele estava coberto de razão. Muitas pessoas trabalham com o que não gostam, passam muito tempo no trânsito, possuem uma jornada de trabalho superior a 8 horas diárias, se cansam, estressam em troca de um ganho financeiro e ignora o básico sobre como o dinheiro funciona. Não parece sem sentido para você?

compras_compulsivas3

9) Falta de Disciplina
Para qualquer alteração comportamental na vida é necessário disciplina e também paciência. Os resultados aparecem após as ações executadas e são necessários ao lado da disciplina, persistência, foco e saber lidar com as frustrações. A frustração é a diferença entre a expectativa e o resultado alcançado.

O que as pessoas chamam de “fracasso”, na verdade é apenas um resultado, uma etapa até o objetivo e nos serve como aprendizado. Ele é seu aliado e não inimigo. Mas a base de tudo começa com a disciplina que é uma característica indispensável para mudança de hábitos.

mão_suja

10) Crenças limitantes quanto a dinheiro
Há muitas crenças relacionadas a dinheiro de forma negativa. “Dinheiro é sujo“, “Quem tem dinheiro não vai para o céu”, “É necessário ter muito estudo para se ter dinheiro”, “dinheiro é questão de sorte”, entre outras tantas. Crenças são as suas verdades, suas opiniões sobre determinado assunto.

Imagine que você é uma excelente nadadora, mas pula na piscina com duas âncoras pesadas amarradas, uma em cada perna. Você não conseguirá sair do lugar. Suas crenças limitantes são como essas âncoras, elas te prendem e impedem o seu desenvolvimento. Identificar e alterá-las é o primeiro passo para sua transformação. Muitas vezes por você achar, geralmente de forma inconsciente que o dinheiro é ruim, você exagera no consumo ou toma decisões equivocadas para se afastar dele.

Os 3 passos para mudança de Hábito
Agora você deve estar se perguntando, como faço para alterar algum hábito financeiro indesejado?

Seguem os 3 passos:

1. Conscientização
Identifique o hábito indesejado que você quer transformar e o gatilho que dispara esse comportamento financeiro. Por exemplo, quando está triste, você costuma realizar compras para se recompor emocionalmente? Ou quando você está extremamente feliz comemora realizando compras?Muito importante o autoconhecimento, você saber o que dispara seu comportamento.

Esse gatilho, por exemplo, pode ser uma faixa em uma loja com os dizeres “promoção”, “oferta”, “10x sem juros”, “liquidação”. É fundamental você identificar os gatilhos que disparam sua ação e como você está emocionalmente antes, durante e depois da ação. Registre essas informações em uma folha de papel ou aonde você se sentir mais confortável.

2. Ação
Esse passo é você verificar qual a rotina deflagrada após o disparo do gatilho. Não a julgue, apenas anote. Qual foi a ação executada?

3. Recompensa
Identifique quais foram os ganhos emocionais e/ou físicos com esse comportamento. O que você sentiu? Em que parte do seu corpo você sentiu isso? Qual foi a duração?

A Solução:
Uma vez, você com todos esses dados levantados, escreverá o novo hábito desejado de forma positiva, como por exemplo, “Quero aplicar 10% do meu salário para minha aposentadoria” ou “Quero consumir melhor e de forma mais equilibrada”.

Você não elimina um hábito, você substitui um hábito indesejado por um positivo. Você agirá em cima do passo 2 – a ação, você identifica o gatilho e substitui a ação, de forma que ela lhe dê a mesma recompensa.

Por isso a importância do autoconhecimento. Vamos a um exemplo prático. Você identifica que toda vez que está ansiosa (gatilho), você vai ao shopping comprar algo para si (ação), e possui a sensação de bem-estar após as compras. (Recompensa). Esse é o loop de um hábito.

O que reforça esse loop é que toda vez que você se sente ansiosa, você anseia, você deseja inconscientemente a recompensa, ou seja, a satisfação  causada pelas compras, com isso seu organismo irá liberar a dopamina que é um neurotransmissor ligado ao prazer te dando a recompensa.

Há outras atividades que liberam essa mesma substância, como por exemplo, a atividade física. A regra de ouro é você identificar outra ação que lhe garanta o mesmo prazer e substituí-la. Sua tarefa é descobrir como criar um anseio para tornar mais fácil a substituição da rotina.A mudança legítima exige esforço e autocompreensão dos anseios que impedem os comportamentos. Mudar qualquer hábito exige determinação.

Recorde alguma rotina que você já teve e que foi alterada, desde um simples hábito como mudar o percurso que você fazia para um determinado local, como a alteração de um hábito alimentar, por exemplo. Identifique quais foram os gatilhos, a ação e a recompensa e como você inconsciente ou conscientemente fez a substituição. Como essa experiência passada pode te ajudar agora na criação desse novo hábito?

Grande abraço,

Dalton Ferreira

daltonhtf@hotmail.com

Anúncios
Os 10 maus Hábitos que impedem seu Sucesso Financeiro

A história de Mushkil Gusha – um conto de ensinamento sobre a prosperidade

Era uma vez, a menos de mil milhas daqui, um pobre lenhador viúvo, que vivia com sua pequena filha. Todos os dias costumava ir às montanhas cortar lenha, que levava para casa e atava em feixes. Depois da primeira refeição, caminhava até o povoado mais próximo, onde vendia a lenha e descansava um pouco antes de voltar para casa.

Um dia, ao chegar em casa, já muito tarde, a menina lhe disse:

Pai, de vez em quando gostaria de ter uma comida melhor, em maior quantidade e mais variada.

– Está bem, minha filha – disse o velho -, amanhã levantarei mais cedo do que de costume, irei mais alto nas montanhas, onde há mais lenha, e trarei uma quantidade maior do que a habitual. Voltarei mais cedo para casa, atarei os feixes mais depressa e irei logo ao povoado vendê-los para conseguirmos mais dinheiro. E lhe trarei uma porção de coisas deliciosas.

Na manhã seguinte, o lenhador levantou-se antes da aurora e partiu para as montanhas. Trabalhou arduamente cortando lenha e fez um feixe enorme, que carregou nos ombros até sua casa.

Ao chegar era ainda muito cedo. Então, colocou a carga no chão e bateu à porta, dizendo:

– Filha, filha, abra a porta. Estou com sede e fome; preciso comer alguma coisa antes de ir para o mercado.

Mas a porta continuou fechada. O lenhador estava tão cansado que se deitou no chão, ao lado do feixe de lenha, e logo adormeceu. A menina, esquecida da conversa da noite anterior, dormia profundamente.

Quando o lenhador acordou, algumas horas depois, o sol já estava alto. Bateu novamente à porta e disse:

– Filha, filha, abra logo. Preciso comer alguma coisa antes de ir ao mercado vender a lenha, pois já é muito mais tarde do que de costume.

Mas a menina que tinha esquecido completamente a conversa da noite anterior, tinha se levantado, arrumado a casa e safra para dar um passeio. Em seu esquecimento, e supondo que o pai já tivesse ido para o povoado, deixou a porta da casa fechada.

Assim, o lenhador disse a si mesmo:

– Já é muito tarde para ir à cidade. Voltarei para as montanhas e cortarei outro feixe de lenha, que trarei para casa, e amanhã terei carga em dobro para levar ao mercado.

O lenhador trabalhou duro aquele dia, cortando e enfeixando lenha nas montanhas. Já era noite quando chegou em casa com a lenha nos ombros.

Pôs o feixe atrás da casa, bateu à porta e disse:

– Filha, filha, abra a porta. Estou cansado e não comi nada o dia todo. Trago uma dupla carga de lenha, que espero levar ao mercado amanhã. Preciso dormir bem esta noite para recuperar minhas forças.

Mas não houve resposta, pois a menina, sentindo muito sono ao voltar do passeio, preparou sua comida e foi para a cama. A princípio, ficara preocupada com a ausência do pai, mas tranqüilizou-se logo, pensando que ele passaria a noite no povoado.

Cansado, faminto e com sede, vendo que não podia entrar em casa, o lenhador deitou-se novamente ao lado da lenha. Apesar de preocupado com o que poderia estar acontecendo com a filha, não conseguiu ficar acordado: adormeceu logo. Mas, como estava com muito frio, muita fome e muito cansado, acordou bem cedo na manhã seguinte, antes mesmo de o dia clarear.

Sentou-se, olhou ao redor, mas não conseguiu ver nada. Mas, nesse momento, aconteceu uma coisa estranha. Pareceu-lhe ouvir uma voz que dizia:

– Depressa! depressa! Deixa tua lenha e vem por aqui. Se necessitas muito e desejas o suficiente, terás uma refeição deliciosa.

O lenhador levantou-se e caminhou na direção de onde vinha a voz. Andou, andou e andou, mas não encontrou nada.

Então sentiu mais cansaço, frio e fome do que antes e, além do mais, estava perdido. Tivera muitas esperanças, mas isso não parecia tê-lo ajudado. Ficou triste, com vontade de chorar, mas percebeu que chorar também não o ajudaria. Assim, deitou-se e adormeceu.

Logo depois acordou novamente. Sentia frio e fome demais para poder dormir. Foi então que lhe ocorreu narrar a si mesmo, como se fosse um conto, tudo o que tinha acontecido desde que a filha lhe pedira um tipo de comida diferente.

Mal terminou sua história, pareceu-lhe ouvir outra voz, vinda de algum lugar no alto, como se saísse do amanhecer, que dizia:

– Velho homem, velho homem, que fazes sentado aqui?

– Estou me contando minha própria história – respondeu o lenhador.

– E qual é?

O lenhador repetiu sua narração.

– Muito bem – disse a voz, e a seguir lhe pediu que fechasse os olhos e subisse um degrau.

– Mas não vejo degrau algum – disse o velho.

– Não importa, faz o que te digo – ordenou a voz.

O homem fez o que lhe fora ordenado. Mal fechou os olhos, descobriu que estava de pé e, levantando o pé direito, sentiu que debaixo dele havia algo semelhante a um degrau.

Começou a subir o que parecia ser uma escada. De repente os degraus começaram a mover-se – moviam-se muito rapidamente – e a voz lhe disse:

– Não abra os olhos até que eu ordene.

Não se passara muito tempo, quando a voz mandou que o velho abrisse os olhos. Ao fazê-lo, o lenhador achou-se num lugar que parecia um deserto, com um sol escaldante acima dele.

Estava rodeado de montes e montes de pedrinhas de todas as cores: vermelhas, verdes, azuis e brancas. Mas parecia estar só; olhou em volta e não conseguiu ver ninguém. Então, a voz começou a falar de novo:

“Apanha todas as pedras que puderes, fecha os olhos e desce os degraus”

O lenhador fez o que lhe mandavam e, quando a voz ordenou que abrisse os olhos novamente, encontrou-se diante da porta de sua própria casa. Bateu à porta, e a sua filha veio atender. Ela lhe perguntou por onde ele tinha andado, e o pai lhe contou o ocorrido, embora a menina mal entendesse o que ele dizia, porque tudo lhe parecia muito confuso.

Entraram em casa e a menina e o seu pai repartiram a última coisa que lhes restava para comer: um punhado de tâmaras secas. Quando terminaram a comida, o velho achou que estava novamente ouvindo uma voz, uma voz igual àquela que o mandara subir os degraus.

– Embora ainda não o saibas – disse a voz – foste salvo por Mushkil Gusha. Lembra-te: Mushkil Gusha está sempre aqui. Promete a ti mesmo que todas as quintas-feiras, à noite, comerás umas tâmaras, e darás outras a alguma pessoa necessitada, a quem contarás a história de Mushkil Gusha. Ou darás um presente, em seu nome, a alguém que ajude os necessitados. Promete que a história de Mushkil Gusha nunca, nunca será esquecida. Se fizeres isso, e o mesmo fizerem as pessoas a quem contares a história, os que tiverem verdadeira necessidade sempre encontrarão seu caminho.

O lenhador então colocou todas as pedras que havia trazido do deserto num canto do casebre. Pareciam simples pedras, e ele não soube o que fazer com elas. No dia seguinte, levou seus dois enormes feixes de lenha ao mercado e os vendeu facilmente, por ótimo preço. Ao voltar para casa, levava para sua filha uma porção de iguarias deliciosas que ela jamais havia provado antes. Quando terminaram de comer, o velho lenhador disse:

– Agora vou lhe contar a história de Mushkil Gusha. Mushkil Gusha significa “O dissipador de todas as dificuldades”. Nossas dificuldades desapareceram por intermédio de Mushkil Gusha, e devemos lembrá-lo sempre.

Durante uma semana o homem seguiu sua rotina. Ia às montanhas, trazia lenha, comia alguma coisa, levava a lenha ao mercado e a vendia. Sempre encontrava comprador, sem dificuldade.

Mas chegou a quinta-feira seguinte e, como é comum entre os homens, o lenhador se esqueceu de contar a história de Mushkil Gusha. Nessa noite, já tarde, apagou-se o fogo na casa dos vizinhos. E, como não tinham com que voltar a acendê-lo, foram à casa do lenhador e disseram:

– Vizinho, vizinho, por favor, dê-nos um pouco de fogo dessas suas lâmpadas maravilhosas que vemos brilhar através da janela.

– Que lâmpadas? – perguntou o lenhador.

– Venha cá e veja – responderam.

O lenhador saiu e viu claramente a variedade de luzes que, vindas de dentro, brilhavam através de sua janela. Entrou e viu que a luz saía do monte de pedras que havia posto num canto. Mas os raios de luz eram frios e era impossível usá-los para acender fogo. Então, tornou a sair e disse:

– Sinto muito, vizinhos, não tenho fogo – e bateu-lhes a porta no nariz.

Os vizinhos ficaram aborrecidos e surpresos e voltaram para casa resmungando. E aqui eles abandonam nossa história.

Rapidamente, o lenhador e sua filha, com medo de que alguém visse o tesouro que possuíam, cobriram as brilhantes luzes com todos os trapos que encontraram. Na manhã seguinte, ao destampar as pedras, descobriram que eram gemas luminosas e preciosas.

Uma a uma, levaram-nas às cidades dos arredores, onde as venderam por um preço enorme. Então, o lenhador decidiu construir um esplêndido palácio para ele e sua filha.

Escolheram um lugar que ficava exatamente na frente do castelo do rei de seu país. Pouco tempo depois, um edifício maravilhoso estava construído.

O rei tinha uma filha muito bonita que uma manhã, ao acordar, viu o castelo, que parecia de contos de fadas, bem em frente ao de seu pai. Muito surpresa, perguntou a seus criados:

– Quem construiu esse castelo? Com que direito fazem uma coisa dessas tão perto do nosso lar?

Os criados saíram e investigaram. Ao regressar, contaram à princesa tudo o que conseguiram saber.

A princesa, muito zangada, mandou chamar a filha do lenhador. Porém, quando as duas meninas se conheceram e se falaram, logo tornaram-se boas amigas. Encontravam-se todos os dias e iam nadar e brincar juntas num regato que o rei mandara fazer para a princesa.

Alguns dias depois do primeiro encontro, a princesa tirou um colar lindo e valioso e pendurou-o numa árvore à beira do regato. Na volta, esqueceu-se de apanhá-lo e, ao chegar em casa, pensou que o tinha perdido. Refletindo melhor, porém. concluiu que tinha sido roubado pela filha do lenhador.

Contou tudo ao pai, que mandou prender o lenhador e confiscou-lhe todos os bens. O homem foi posto na prisão, e sua filha levada para um orfanato.

Como era costume no país, depois de algum tempo o lenhador foi retirado de sua cela e levado para praça pública, onde o acorrentaram a um poste, tendo pendurado ao pescoço um cartaz onde se lia:

“É isto que acontece a quem rouba dos reis.”

A princípio, as pessoas juntavam-se à sua volta zombando dele e atirando-lhe coisas. O lenhador estava muito infeliz. Porém, como é comum entre os homens, logo se acostumaram com o velho sentado junto ao poste e lhe prestavam cada vez menos atenção. Às vezes lhe atiravam restos de comida, às vezes nem mesmo isso.

Uma tarde, ouviu alguém dizer que era quinta-feira. De imediato veio-lhe à mente o pensamento de que logo seria a noite de Mushkil Gusha, “O dissipador de todas as dificuldades”, a quem há tanto tempo se esquecera de comemorar. No mesmo instante em que esse pensamento lhe chegou à mente, um homem caridoso que passava jogou-lhe uma moeda.

– Generoso amigo – chamou-o o lenhador – você me deu dinheiro que para mim não tem utilidade alguma. Mas se, em sua generosidade, puder comprar uma ou duas tâmaras e vir sentar-se comigo para comê-las, eu lhe ficaria eternamente grato.

O homem saiu e comprou algumas tâmaras, sentou-se a seu lado e comeram juntos. Ao terminar, o lenhador contou-lhe a história de Mushkil Gusha.

– Acho que você deve estar louco – disse-lhe o homem generoso.

Mas era uma pessoa compreensiva e também enfrentava muitas dificuldades. Ao chegar em casa, depois desse incidente, percebeu que todos os seus problemas estavam resolvidos. Isto o fez pensar mais seriamente a respeito de Mushkil Gusha. Mas aqui ele deixa nossa história.

No dia seguinte, pela manhã, a princesa voltou ao lugar onde se banhara e, quando ia entrar na água, viu, no fundo do regato, uma coisa que parecia ser seu colar. Porém, no momento em que ia pegá-lo, espirrou, jogou a cabeça para trás, e viu que o que tomara por seu colar era apenas o reflexo dele na água. O colar estava pendurado no galho de uma árvore, no mesmo lugar onde o tinha deixado há muito tempo.

Emocionada, apanhou-o e foi correndo contar ao rei o acontecido. Este ordenou que o lenhador fosse posto em liberdade e que lhe pedissem desculpas em público. Tiraram a menina do orfanato e todos viveram felizes para sempre.

Estes são alguns dos episódios da história de Mushkil Gusha. E uma história muito longa, que nunca termina. Tem muitas formas. Algumas nem sequer se intitulam A história de Mushkil Gusha. Por isso as pessoas não as reconhecem como tal.

Mas é por causa de Mushkil Gusha que esta história, em qualquer de suas formas, é lembrada por alguém, em algum lugar do mundo, dia e noite, onde quer que exista gente. Tal como sempre tem sido contada, assim continua-rá a ser contada eternamente.

Você quer repetir a história de Mushkil Gusha nas noites de quinta-feira e ajudar, assim, o trabalho de Mushkil Gusha?

Referência

http://www.caravansarai.com.br/ConMushkilGushaPrin.htm

A história de Mushkil Gusha – um conto de ensinamento sobre a prosperidade