Dalai Lama é rico?

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Dalai Lama é rico? Para responder essa pergunta, precisamos viajar ao cerne do significado de riqueza e perguntar. O que é riqueza?

Para o psicólogo L. Michael Hall, um dos meus gurus, o coração da riqueza é…

“Criar ou adicionar valor que satisfaça as necessidades das pessoas num certo nicho ou contexto.  Faça isso e o dinheiro virá naturalmente como consequência”.

(livro Inside Out Wealth, pg.75).

Brilhante, simples e poderosa definição, enriquecedora de significados e possibilidades.

E daí segue a pergunta… O que é valor?

É tudo aquilo que valorizo na minha vida, os chamados “fatores apetitivos”, aquilo que me atrai visceralmente, que aumenta meu apetite, do que eu quero me aproximar na vida, que eu quero ter e ser e viver e saborear mais e mais em minha vida.

Afastar-me  arrowsAproximar-me

Que tal parar tudo o que está fazendo agora e responder para si mesmo ou mesma o que você quer mais em sua vida?

Minha lista de coisas que valorizo incluiria algo como:

APROXIMAR-ME DE…

  • minha família
  • meus amigos
  • viajar pelo mundo
  • cultura
  • prazeres sensoriais
  • um bom vinho, cerveja, gastronomia
  • arte – cinema, teatro, pintura, exposições
  • liberdade financeira – não precisar mais trabalhar para viver
  • etc
  • (faça a sua lista aqui…)

Agora, o passo seguinte é dividir essa lista em duas partes: a parte que você quer mais que ocorre DENTRO de você, através de sentimentos, sensações, pensamentos e emoções, e a parte que ocorre fora de você : comportamentos e experiências externas

Exemplo.

FORA

  • viagens
  • casa própria de frente pro mar
  • praticar artes marciais
  • correr na praia
  • contato com natureza
  • literatura

DENTRO

  • alegria
  • prazer sensorial
  • paz
  • tranquilidade
  • segurança
  • amor
  • romance
  • tesão
  • otimismo
  • criatividade
  • novas idéias

Agora, procure associar e relacionar o que as experiências, coisas e atividades FORA proporcionam DENTRO.

Exemplo:

FORA

  • apartamento próprio 3 quartos de luxo de frente para o mar em Ipanema

DENTRO

  • segurança, realização, orgulho, prazer sensorial, tranquilidade, paz

 

Outro exemplo:

FORA

  • Viagens por cidades antigas e exóticas do mundo

DENTRO

  • cultura
  • memórias agradáveis
  • savoring – saborear o momento presente
  • prazer sensorial
  • conexão com as pessoas

 

Como talvez você já tenha percebido, as experiências, coisas e atividades fora só são valiosas e valorizadas por nós porque nos proporcionam essas emoções, sensações e estados agradáveis e apetitivos que queremos sentir MAIS e MAIS em nossa vida.

EM outras palavras, queremos essas coisas e experiências pelo VALOR INTERNO que adicionam em nossas vidas.

Essas experiências externas enriquecem nossas vidas, aumentando nossas experiências positivas INTERNAS.

Outras conclusões podemos depreender a partir daí?

Que o que buscamos, no final de contas, são emoções positivas: AMOR, ALEGRIA, SURPRESA (agradável, e não susto…rs), que são as emoções básicas…

E os chamados “meta-estados”, que são emoções mais sofisticadas, emoções básicas misturadas com outras camadas de emoções e significados mais complexos e profundos criados pela nossa mente, como PAZ, CONTENTAMENTO, SEGURANÇA, AUTOESTIMA, PAIXÃO, ENLEVO, CONTEMPLAÇÃO, EXTASE, CONEXÃO, AUTO-REALIZAÇÃO.

Agora, vamos acrescentar uma outra dimensão a esses valores positivos internos que queremos em nossas vidas, a das NECESSIDADES.

Podemos pensar que uma grande parte dessas sensações e emoções positivas advém de conseguirmos satisfazer, no todo ou em parte, nossas necessidades humanas básicas. Nos ensinou Abraham Maslow:

 

Valorizamos qualquer experiência externa que, de alguma forma, nos aproxime de satisfazer essas necessidades básicas.

Estamos geneticamente programados pela evolução para ter um apetite visceral por isso, para ansiar e desejar isso mais que tudo.

E quando temos essas necessidades satisfeitas, quando sentimos que essas necessidades satisfeitas, nos sentimos ricos internamente.

Então, criar riqueza começa na MENTE, por APRECIAR o que já experimentamos no momento presente.

Sugiro que pare tudo agora e simplesmente se permita experimentar a sensação de apreciar, valorizar, reconhecer o valor do que, no AQUI E AGORA, você experimenta DO LADO DE FORA, que te aproxima da satisfação de suas necessidades INTERNAS e te fazem experimentar EMOÇÕES E SENSAÇÔES positivas, agradáveis, prazerosas.

Faça isso em cada dimensão da pirâmide de Maslow.

Exemplo:

  • Fisiologia – o ar que você respira, ter sexo regular, conseguir ter uma noite de sono, estar fisicamente saudável, ter acesso a água potável, comida de qualidade…
  • Segurança  – ter uma casa para morar, renda de um emprego, etc
  • Amor/Relacionamento – ter um parceiro amoroso que te ama, amigos que te fazem sentir bem, etc
  • E assim por diante.

Você irá perceber que, em algum grau, você já pode reconhecer valores ou zonas de riqueza em sua vida. Você já começou a se perceber experimentando a RIQUEZA  em sua vida no aqui-e-agora? E se pudesse começar a perceber,como seria?

E o que você e eu podemos fazer AGORA é refletir em tudo o que podemos FAZER para nos APROXIMAR MAIS e MAIS daquilo que satisfaz nossas NECESSIDADES e DESEJOS, que AUMENTA as nossas EMOÇÕES POSITIVAS, que ENRIQUECEM nossas vidas.

O próximo passo é ENRIQUECER essa lista valiosa com tudo o mais que queremos MAIS para nossa vida, que irá enriquecê-la, satisfazer nossas necessidades em cada nível da pirâmide de Maslow.

Lembre-se sempre de separar a lista em DENTRO e FORA. A parte de DENTRO são nossos VALORES internos. A parte de FORA são as coisas, experiências, pessoas, situações, comportamentos, ações do lado de fora,que nos aproximam desses VALORES internos.

FORAarrowsMAIS VALOR


 

DENTROarrowsMAIS VALOR

Sugiro que, depois de criar sua lista, faça a seguinte reflexão: quais os 20% das coisas e experiências do lado de FORA que respondem por 80% da satisfação das suas necessidades, desejos e valores DENTRO? (para quem não sabe, este é o princípio de Paretto: 20% das causas respondem por 80% dos resultados)

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Para mim, por exemplo, essa lista menor 20-80 incluiria passar tempo de qualidade com minha família, viajar por cidades exóticas, aprender sobre Psicologia, ajudar as pessoas através do coaching, palestras e terapia…

Agora é sua vez. Elabore sua lista 20-80 de experiências  FORA que mais aumentam suas emoções positivas DENTRO…

Mais disso tudo em outros posts, ok? Vou aqui apenas introduzir a pergunta de ouro, que não quer calar:

ok, já entendi o que me enriquece internamente e que adiciona valor para minha vida. Mas e como ganho mais dinheiro para satisfazer essas necessidades internas? 

Estava esperando você perguntar. Dizendo rápida e rasteiramente, é adicionando valor para outras pessoas (tudo o que elas querem experimentar mais em suas vidas) de tal forma que elas estejam dispostas a pagar um preço por isso. PRONTO, FALEI.

Em outras palavras: sendo expert em criar para as outras pessoas EXPERIÊNCIAS EXTERNAS (produtos e serviços) que as APROXIMEM de sentir as EXPERIÊNCIAS INTERNAS que elas querem MAIS , dessas emoções positivas, que advêm da satisfação de suas necessidades básicas e desejos.

Tem muito mais do que isso, mas não quero cansar vocês demais. E agora é hora de praticar esses conceitos todos, que tal?

E para concluir, quero que você mesmo responda: à luz dos valores do próprio Dalai Lama, ele é rico? E você?

Um abraço cheio de apreciação e emoções positivas!

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Dalai Lama é rico?

A história de Mushkil Gusha – um conto de ensinamento sobre a prosperidade

Era uma vez, a menos de mil milhas daqui, um pobre lenhador viúvo, que vivia com sua pequena filha. Todos os dias costumava ir às montanhas cortar lenha, que levava para casa e atava em feixes. Depois da primeira refeição, caminhava até o povoado mais próximo, onde vendia a lenha e descansava um pouco antes de voltar para casa.

Um dia, ao chegar em casa, já muito tarde, a menina lhe disse:

Pai, de vez em quando gostaria de ter uma comida melhor, em maior quantidade e mais variada.

– Está bem, minha filha – disse o velho -, amanhã levantarei mais cedo do que de costume, irei mais alto nas montanhas, onde há mais lenha, e trarei uma quantidade maior do que a habitual. Voltarei mais cedo para casa, atarei os feixes mais depressa e irei logo ao povoado vendê-los para conseguirmos mais dinheiro. E lhe trarei uma porção de coisas deliciosas.

Na manhã seguinte, o lenhador levantou-se antes da aurora e partiu para as montanhas. Trabalhou arduamente cortando lenha e fez um feixe enorme, que carregou nos ombros até sua casa.

Ao chegar era ainda muito cedo. Então, colocou a carga no chão e bateu à porta, dizendo:

– Filha, filha, abra a porta. Estou com sede e fome; preciso comer alguma coisa antes de ir para o mercado.

Mas a porta continuou fechada. O lenhador estava tão cansado que se deitou no chão, ao lado do feixe de lenha, e logo adormeceu. A menina, esquecida da conversa da noite anterior, dormia profundamente.

Quando o lenhador acordou, algumas horas depois, o sol já estava alto. Bateu novamente à porta e disse:

– Filha, filha, abra logo. Preciso comer alguma coisa antes de ir ao mercado vender a lenha, pois já é muito mais tarde do que de costume.

Mas a menina que tinha esquecido completamente a conversa da noite anterior, tinha se levantado, arrumado a casa e safra para dar um passeio. Em seu esquecimento, e supondo que o pai já tivesse ido para o povoado, deixou a porta da casa fechada.

Assim, o lenhador disse a si mesmo:

– Já é muito tarde para ir à cidade. Voltarei para as montanhas e cortarei outro feixe de lenha, que trarei para casa, e amanhã terei carga em dobro para levar ao mercado.

O lenhador trabalhou duro aquele dia, cortando e enfeixando lenha nas montanhas. Já era noite quando chegou em casa com a lenha nos ombros.

Pôs o feixe atrás da casa, bateu à porta e disse:

– Filha, filha, abra a porta. Estou cansado e não comi nada o dia todo. Trago uma dupla carga de lenha, que espero levar ao mercado amanhã. Preciso dormir bem esta noite para recuperar minhas forças.

Mas não houve resposta, pois a menina, sentindo muito sono ao voltar do passeio, preparou sua comida e foi para a cama. A princípio, ficara preocupada com a ausência do pai, mas tranqüilizou-se logo, pensando que ele passaria a noite no povoado.

Cansado, faminto e com sede, vendo que não podia entrar em casa, o lenhador deitou-se novamente ao lado da lenha. Apesar de preocupado com o que poderia estar acontecendo com a filha, não conseguiu ficar acordado: adormeceu logo. Mas, como estava com muito frio, muita fome e muito cansado, acordou bem cedo na manhã seguinte, antes mesmo de o dia clarear.

Sentou-se, olhou ao redor, mas não conseguiu ver nada. Mas, nesse momento, aconteceu uma coisa estranha. Pareceu-lhe ouvir uma voz que dizia:

– Depressa! depressa! Deixa tua lenha e vem por aqui. Se necessitas muito e desejas o suficiente, terás uma refeição deliciosa.

O lenhador levantou-se e caminhou na direção de onde vinha a voz. Andou, andou e andou, mas não encontrou nada.

Então sentiu mais cansaço, frio e fome do que antes e, além do mais, estava perdido. Tivera muitas esperanças, mas isso não parecia tê-lo ajudado. Ficou triste, com vontade de chorar, mas percebeu que chorar também não o ajudaria. Assim, deitou-se e adormeceu.

Logo depois acordou novamente. Sentia frio e fome demais para poder dormir. Foi então que lhe ocorreu narrar a si mesmo, como se fosse um conto, tudo o que tinha acontecido desde que a filha lhe pedira um tipo de comida diferente.

Mal terminou sua história, pareceu-lhe ouvir outra voz, vinda de algum lugar no alto, como se saísse do amanhecer, que dizia:

– Velho homem, velho homem, que fazes sentado aqui?

– Estou me contando minha própria história – respondeu o lenhador.

– E qual é?

O lenhador repetiu sua narração.

– Muito bem – disse a voz, e a seguir lhe pediu que fechasse os olhos e subisse um degrau.

– Mas não vejo degrau algum – disse o velho.

– Não importa, faz o que te digo – ordenou a voz.

O homem fez o que lhe fora ordenado. Mal fechou os olhos, descobriu que estava de pé e, levantando o pé direito, sentiu que debaixo dele havia algo semelhante a um degrau.

Começou a subir o que parecia ser uma escada. De repente os degraus começaram a mover-se – moviam-se muito rapidamente – e a voz lhe disse:

– Não abra os olhos até que eu ordene.

Não se passara muito tempo, quando a voz mandou que o velho abrisse os olhos. Ao fazê-lo, o lenhador achou-se num lugar que parecia um deserto, com um sol escaldante acima dele.

Estava rodeado de montes e montes de pedrinhas de todas as cores: vermelhas, verdes, azuis e brancas. Mas parecia estar só; olhou em volta e não conseguiu ver ninguém. Então, a voz começou a falar de novo:

“Apanha todas as pedras que puderes, fecha os olhos e desce os degraus”

O lenhador fez o que lhe mandavam e, quando a voz ordenou que abrisse os olhos novamente, encontrou-se diante da porta de sua própria casa. Bateu à porta, e a sua filha veio atender. Ela lhe perguntou por onde ele tinha andado, e o pai lhe contou o ocorrido, embora a menina mal entendesse o que ele dizia, porque tudo lhe parecia muito confuso.

Entraram em casa e a menina e o seu pai repartiram a última coisa que lhes restava para comer: um punhado de tâmaras secas. Quando terminaram a comida, o velho achou que estava novamente ouvindo uma voz, uma voz igual àquela que o mandara subir os degraus.

– Embora ainda não o saibas – disse a voz – foste salvo por Mushkil Gusha. Lembra-te: Mushkil Gusha está sempre aqui. Promete a ti mesmo que todas as quintas-feiras, à noite, comerás umas tâmaras, e darás outras a alguma pessoa necessitada, a quem contarás a história de Mushkil Gusha. Ou darás um presente, em seu nome, a alguém que ajude os necessitados. Promete que a história de Mushkil Gusha nunca, nunca será esquecida. Se fizeres isso, e o mesmo fizerem as pessoas a quem contares a história, os que tiverem verdadeira necessidade sempre encontrarão seu caminho.

O lenhador então colocou todas as pedras que havia trazido do deserto num canto do casebre. Pareciam simples pedras, e ele não soube o que fazer com elas. No dia seguinte, levou seus dois enormes feixes de lenha ao mercado e os vendeu facilmente, por ótimo preço. Ao voltar para casa, levava para sua filha uma porção de iguarias deliciosas que ela jamais havia provado antes. Quando terminaram de comer, o velho lenhador disse:

– Agora vou lhe contar a história de Mushkil Gusha. Mushkil Gusha significa “O dissipador de todas as dificuldades”. Nossas dificuldades desapareceram por intermédio de Mushkil Gusha, e devemos lembrá-lo sempre.

Durante uma semana o homem seguiu sua rotina. Ia às montanhas, trazia lenha, comia alguma coisa, levava a lenha ao mercado e a vendia. Sempre encontrava comprador, sem dificuldade.

Mas chegou a quinta-feira seguinte e, como é comum entre os homens, o lenhador se esqueceu de contar a história de Mushkil Gusha. Nessa noite, já tarde, apagou-se o fogo na casa dos vizinhos. E, como não tinham com que voltar a acendê-lo, foram à casa do lenhador e disseram:

– Vizinho, vizinho, por favor, dê-nos um pouco de fogo dessas suas lâmpadas maravilhosas que vemos brilhar através da janela.

– Que lâmpadas? – perguntou o lenhador.

– Venha cá e veja – responderam.

O lenhador saiu e viu claramente a variedade de luzes que, vindas de dentro, brilhavam através de sua janela. Entrou e viu que a luz saía do monte de pedras que havia posto num canto. Mas os raios de luz eram frios e era impossível usá-los para acender fogo. Então, tornou a sair e disse:

– Sinto muito, vizinhos, não tenho fogo – e bateu-lhes a porta no nariz.

Os vizinhos ficaram aborrecidos e surpresos e voltaram para casa resmungando. E aqui eles abandonam nossa história.

Rapidamente, o lenhador e sua filha, com medo de que alguém visse o tesouro que possuíam, cobriram as brilhantes luzes com todos os trapos que encontraram. Na manhã seguinte, ao destampar as pedras, descobriram que eram gemas luminosas e preciosas.

Uma a uma, levaram-nas às cidades dos arredores, onde as venderam por um preço enorme. Então, o lenhador decidiu construir um esplêndido palácio para ele e sua filha.

Escolheram um lugar que ficava exatamente na frente do castelo do rei de seu país. Pouco tempo depois, um edifício maravilhoso estava construído.

O rei tinha uma filha muito bonita que uma manhã, ao acordar, viu o castelo, que parecia de contos de fadas, bem em frente ao de seu pai. Muito surpresa, perguntou a seus criados:

– Quem construiu esse castelo? Com que direito fazem uma coisa dessas tão perto do nosso lar?

Os criados saíram e investigaram. Ao regressar, contaram à princesa tudo o que conseguiram saber.

A princesa, muito zangada, mandou chamar a filha do lenhador. Porém, quando as duas meninas se conheceram e se falaram, logo tornaram-se boas amigas. Encontravam-se todos os dias e iam nadar e brincar juntas num regato que o rei mandara fazer para a princesa.

Alguns dias depois do primeiro encontro, a princesa tirou um colar lindo e valioso e pendurou-o numa árvore à beira do regato. Na volta, esqueceu-se de apanhá-lo e, ao chegar em casa, pensou que o tinha perdido. Refletindo melhor, porém. concluiu que tinha sido roubado pela filha do lenhador.

Contou tudo ao pai, que mandou prender o lenhador e confiscou-lhe todos os bens. O homem foi posto na prisão, e sua filha levada para um orfanato.

Como era costume no país, depois de algum tempo o lenhador foi retirado de sua cela e levado para praça pública, onde o acorrentaram a um poste, tendo pendurado ao pescoço um cartaz onde se lia:

“É isto que acontece a quem rouba dos reis.”

A princípio, as pessoas juntavam-se à sua volta zombando dele e atirando-lhe coisas. O lenhador estava muito infeliz. Porém, como é comum entre os homens, logo se acostumaram com o velho sentado junto ao poste e lhe prestavam cada vez menos atenção. Às vezes lhe atiravam restos de comida, às vezes nem mesmo isso.

Uma tarde, ouviu alguém dizer que era quinta-feira. De imediato veio-lhe à mente o pensamento de que logo seria a noite de Mushkil Gusha, “O dissipador de todas as dificuldades”, a quem há tanto tempo se esquecera de comemorar. No mesmo instante em que esse pensamento lhe chegou à mente, um homem caridoso que passava jogou-lhe uma moeda.

– Generoso amigo – chamou-o o lenhador – você me deu dinheiro que para mim não tem utilidade alguma. Mas se, em sua generosidade, puder comprar uma ou duas tâmaras e vir sentar-se comigo para comê-las, eu lhe ficaria eternamente grato.

O homem saiu e comprou algumas tâmaras, sentou-se a seu lado e comeram juntos. Ao terminar, o lenhador contou-lhe a história de Mushkil Gusha.

– Acho que você deve estar louco – disse-lhe o homem generoso.

Mas era uma pessoa compreensiva e também enfrentava muitas dificuldades. Ao chegar em casa, depois desse incidente, percebeu que todos os seus problemas estavam resolvidos. Isto o fez pensar mais seriamente a respeito de Mushkil Gusha. Mas aqui ele deixa nossa história.

No dia seguinte, pela manhã, a princesa voltou ao lugar onde se banhara e, quando ia entrar na água, viu, no fundo do regato, uma coisa que parecia ser seu colar. Porém, no momento em que ia pegá-lo, espirrou, jogou a cabeça para trás, e viu que o que tomara por seu colar era apenas o reflexo dele na água. O colar estava pendurado no galho de uma árvore, no mesmo lugar onde o tinha deixado há muito tempo.

Emocionada, apanhou-o e foi correndo contar ao rei o acontecido. Este ordenou que o lenhador fosse posto em liberdade e que lhe pedissem desculpas em público. Tiraram a menina do orfanato e todos viveram felizes para sempre.

Estes são alguns dos episódios da história de Mushkil Gusha. E uma história muito longa, que nunca termina. Tem muitas formas. Algumas nem sequer se intitulam A história de Mushkil Gusha. Por isso as pessoas não as reconhecem como tal.

Mas é por causa de Mushkil Gusha que esta história, em qualquer de suas formas, é lembrada por alguém, em algum lugar do mundo, dia e noite, onde quer que exista gente. Tal como sempre tem sido contada, assim continua-rá a ser contada eternamente.

Você quer repetir a história de Mushkil Gusha nas noites de quinta-feira e ajudar, assim, o trabalho de Mushkil Gusha?

Referência

http://www.caravansarai.com.br/ConMushkilGushaPrin.htm

A história de Mushkil Gusha – um conto de ensinamento sobre a prosperidade